“O maior cego é aquele que não quer ver!”
Provérbio popular
“Pode-se enganar todos algum tempo, pode-se enganar alguns o tempo todo, não se pode enganar todos o tempo todo.”
Agora que os Orgãos de Comunicação Social já «desligaram as luzes» que estavam focadas sobre as nossas modalidades, devido à dívida da FPTDA à FIG, por falta de pagamento derivados dos C. do Mundo do ano passado, temos o direito e o dever de analisar aquele que me parece, o maior «problema» que aconteceu às nossas modalidades desde a existência das respectivas Federações.
Mas vamos aos factos:
FACTO Nº 1: No dia 16 de Fevereiro de 2010, a FIG emite um comunicado onde informa que a FGP e todos os ginastas Portugueses, estão suspensos das actividades da mesma, por falta de pagamento à organização do C. do Mundo e dos World Age Groups, realizados em S. Petersburgo.
FACTO Nº 2: Neste mesmo dia, a FGP, envia um comunicado onde refere que a FIG suspende a Federação por “incumprimento de obrigações financeiras” e que a mesma sanção decorre pela “falta de pagamento” das despesas da delegação nacional presente nos Mundiais de Trampolins. Afirma ainda este comunicado da FGP, que a mesma tomou conhecimento da situação quando recebeu um ultimato da FIG e que, já nessa altura, a FGP tentou por todos os meios evitar as sanções.
FACTO Nº 3: O país tomava conhecimento da situação através de notícias veiculadas pelos diversos Orgãos de Comunicação Social nacionais, onde as Federações eram referidas como «más pagadoras».
FACTO Nº 4: A FGP tentou minimizar os estragos que estavam a ser feitos na imagem e na credibilidade das modalidades gímnicas, em termos nacionais e internacionais, marcando uma reunião com o responsável máximo do Desporto em Portugal, para o informar do que estava a acontecer.
FACTO Nº 5: Só no dia 19 de Fevereiro, vem a FPTDA, através de comunicado apresentar a sua versão dos factos. Neste comunicado a FPTDA, lamenta profundamente a sanção que foi imposta à FGP, sua congénere e “amiga” e que aguarda atentamente que seja levantada a sanção em virtude de já terem sido liquidados os montantes em questão. Informam ainda que, esta situação resultou num diferendo que se mantinha até este dia (19 de Fevereiro) com a Comissão Organizativa dos Jogos Mundiais por Grupos de Idade 2009, no apuramento dos valores a liquidar pela FPTDA, resultantes do alojamento e alimentação dos ginastas Portugueses que participaram na referida competição.
As dúvidas colocaram-se porque, como acontece muitas vezes, vários clubes marcaram a sua própria viagem e alojamento nos pacotes que a FPTDA informou que a Comissão Organizativa tinha para oferecer. Desta vez, alguns clubes utilizaram Agências de Viagens que marcaram directamente com a referida Comissão, os seus alojamentos. Como a FPTDA começou a ter dúvidas das facturas que lhe eram enviadas, «combinou» com a referida Comissão, pagar uma caução o que lhe permitia poder participar na prova com os valores em aberto, ficando os mesmos para pagar numa reconciliação a realizar à posterior. A FPTDA, lamenta que neste período de esclarecimentos de ambas as partes, a Federação de Trampolins de S. Petersburgo tenha comunicado à FIG a falta de pagamento e nos moldes em que o fez.
Promete ainda que, continuará a dirimir esta situação.
Referem ainda que as taxas de inscrição na prova foram atempadamente pagas à FIG.
ANÁLISE: Depois dos factos, convém passarmos à análise dos mesmos.
A nossa primeira mensagem (que publicamos na página do Tramp.com.pt), depois da vinda a «lume» desta situação, foi de solidariedade para com todos, tentando, ao mesmo tempo, perceber o que se estava a passar e dando o nosso total apoio à FPTDA, disponibilizando-nos para ajudar no que fosse necessário e urgente. Todos sabemos que em alturas de crise é importante mantermos a calma e procurar informar.
Mas, começamos por relembrar que passaram 3 longos dias entre o momento em que saiu a notícia de que as modalidades gímnicas estavam suspensas das actividades Internacionais, por causa de uma dívida de elevada monta à FIG por parte da FPTDA e, o aguardado esclarecimento da FPTDA.
Ao longo destes «3 eternos dias», nunca a FPTDA nos informou de nada. Numa altura em que se exigia que o Presidente da FPTDA viesse a público explicar o que se estava a passar, aquilo que se ouviu foi «um silêncio ensurdecedor» que deixou «em rédea solta» todas as especulações que, se foram acumulando durante estes dias enormes, para a credibilidade da Federação.
A Direcção da FGP, com uma dignidade que convém realçar, tomou conta da situação o melhor que pode, acalmando os seus sócios, e informando os responsáveis nacionais do ponto em que estava o «maremoto» que atingiu as modalidades gímnicas no seu todo. De qualquer forma, a credibilidade da FGP e da FPTDA, tanto a nível nacional como internacional, levou um «rombo» que demorará algum tempo a recuperar.
Nesta altura da reflexão convém questionarmos onde estava o Sr. Presidente da Assembleia Geral da FPTDA?; que reacção teve para apurar o que se estava a passar e informar (como é seu dever) os sócios da FPTDA?, relembro que qualquer Presidente de Assembleia Geral de qualquer instituição, está no cargo para defender, não só os órgãos sociais, mas também e, principalmente, os seus filiados.
Também convém saber, onde estavam os membros da FPTDA responsáveis pelas contas da mesma? Sabendo que as nossas modalidades estavam a ser arrastadas nos Orgãos de Comunicação Social pelos piores motivos e, tendo já conhecimento dos problemas com a referida Comissão Organizadora, porque demoraram «uma eternidade» a reagir?, no fundo, onde estiveram aqueles que tinham o Dever de nos informar da situação que todos estávamos a viver?
Mas se analisarmos o comunicado que a FPTDA colocou na sua página da Internet, verificamos que o mesmo informa que o problema das dúvidas do pagamento tem a ver apenas com os Jogos Mundiais por Idades. Surge-nos aqui a primeira dúvida.
A FIG é bem clara no seu comunicado quando refere que as dívidas dizem respeito às Organizações dos Jogos Mundiais por Idades e do C. do Mundo. Não são apenas de uma das Organizações, mas sim das duas. Acrescenta ainda que “...A decisão da sanção é feita depois de vários avisos e de terminado o período probatório.”
Aparecem entretanto mais algumas dúvidas que gostaríamos de esclarecer:
• Com este comunicado fica a ideia que a FPTDA já tinha sido várias vezes «avisada» do que estava a acontecer, por este motivo não compreendemos a sua surpresa quando refere, no seu comunicado: “…lamenta que neste período de esclarecimento de ambas as partes, a Federação de S. Petersburgo tenha comunicado à FIG a falta de pagamento…”, afinal a FIG avisou ou não? Inclusivamente, o comunicado da FIG refere que, além dos vários avisos, a sanção só aparece no final do período probatório dado à FPTDA para, naturalmente, provar que tinha a razão do seu lado. Foi assim ou não?
• Durante quanto tempo foram dados estes avisos à FPTDA por parte da FIG?, quanto tempo foi o período probatório dado à FPTDA para provar que tinha razão?
• Se a FIG tem razão quando refere que a dívida também se coloca ao C. do Mundo de Absolutos, perguntamos: Afinal os clubes também têm responsabilidades nesta falta de pagamento? E quanto era esta dívida?
• Se o pagamento em dúvida dizia respeito à possibilidade de vários clubes terem pago os seus alojamentos e alimentação directamente à Federação de S. Petersburgo, de que formas a FPTDA questionou os possíveis clubes em causa, se a informação que estava em falta era ou não verdadeira, se pagaram ou não as suas partes? Como contactaram os referidos clubes? Que resposta obtiveram dos mesmos? Qual o montante da dívida em causa? Era ou não possível aos clubes fazerem a sua marcação da estadia directamente com a Organização? Se não era, porque a referida Organização aceitou as marcações? Passados tantos meses como ficou a situação que a FPTDA prometeu que iria dirimir até ao fim? Relembro que é a reputação das nossas modalidades e das nossas Federações, que está em causa, precisamos de saber como está neste momento a disputa para, no mínimo, «limparmos» a nossa imagem.
CONSEQUÊNCIAS:
Os estragos feitos na credibilidade das modalidades gímnicas, vão demorar algum tempo a desaparecer, quer no país quer no estrangeiro.
Quem mais sentiu, de imediato, o peso desta falta da FPTDA, foi de facto a nossa congénere FGP. A Federação mais antiga das modalidades gímnicas, com a suspensão que lhe foi colocada pela FIG, viu em risco a realização do T. Internacional da Madeira e o T. Internacional de Portimão, assim como, a 4ª Taça do Mundo em Ginástica Rítmica. Depois de mais de 5 décadas a desenvolver um estatuto de trabalho, de organização, de responsabilidade, reconhecido quer a nível interno quer externo, viu com esta falta da FPTDA, tremer todo o trabalho desenvolvido desde a sua fundação.
Apesar das dúvidas que vão continuar a existir com a nossa Federação, continuo a acreditar que as modalidades que existem dentro do seio da FPTDA, têm Agentes Desportivos com qualidade e que já demonstraram ao longo de tempo, através do trabalho, que não precisam de ser conduzidos por elementos externos, e que conseguem definir os seus objectivos e o seu caminho.
Dentro das modalidades dos Trampolins e dos Desportos Acrobáticos, existem Dirigentes, Treinadores, Juízes, Ginastas e Encarregados de Educação que continuam disponíveis para continuarem a construir o futuro das nossas modalidades.
Nunca deixaremos que um percalço do caminho seja visto como o todo da nossa realidade.
Longa VIDA para os Trampolins e os Desportos Acrobáticos.